O medo é a bomba relógio que impera sobre todos os outros sentimentos humanos. É o ápice instintivo abrigado no id que o ego nunca será capaz de impedir ou de disfarçar.
Costumam falar do amor, do ódio e da tristeza como sentimentos supremos. Tudo demasiadamente valorizado. Pois o medo, aquele do qual ninguém fala, é a causa e a destruição de toda e qualquer ação e reação natural.
Do medo ergue-se o orgulho, e sobre esse equilibram-se o amor e o ódio.
O medo de perder a honra, a guerra, o amado ou o filho.
O medo de não saber, de não estar, de não ser a parte pertencente de um todo. Medo de fracassar, de ser recusado, de ser rebaixado, de não ser aceito.
O medo da decepção, o medo da solidão, do abandono, da morte, da tristeza, da loucura. Medo de acabar na cadeia, no hospício, em casa ou no inferno.
O medo do desconhecido, do escuro, da rua, do quarto.
O medo de si ou até mesmo o medo do outro, pelo outro.
O desespero, a fobia, a síndrome. O medo do próprio medo.
Essa ilustre sensação que nos acompanha e suas engrenagens enferrujadas que, em meio a rangidos medonhos que ecoam quase como música no fundo de todos os pensamentos diários, movem um mundo de pesados maquinários, ao qual há muito tempo demos o nome de razão.
Vamos nos conhecendo mais a dentro.
ResponderExcluirExplicito explicatico!
Adorei isso, amor. Medo = Reação de sobrevivência = Priori da existência. E tudo isso mesclando-se ao racional formam uma grande bola de sensações mixadas que vão tendo de ser destrinchadas. Gostei mesmo como lhe disse
ResponderExcluirMuito bom.
=***
perfeito!
ResponderExcluire talvez esse medo seja a razão do mínimo pudor que ainda existe entre nós.
imagina se não houvesse medo de passar vergonha, ou de ser preso... ia ter neguinho correndo pelado por aí e gritando "puta que pariu!!!"
eu gosto do medo. ou me acostumei a ele, sei lá...
beijão
"Medo de parar no hospício" decerto.
ResponderExcluirSó por isso eu não saio correndo pelada por aí gritando "puta que o pariu!!!".
Ótimo o texto! Também o blog!
Gostei daqui.
Só peço desculpas por minha invasão, moça.